Patrícia Carla Costa (*)

O Museu do Instituto Superior de Engenharia (ISEP), criado em 1999, tem como objetivo proteger, conservar e divulgar as coleções científicas provenientes das escolas antecessoras, nomeadamente da Escola Industrial e do Instituto Industrial do Porto.

Em 2009 iniciamos um trabalho de investigação sobre as coleções históricas de “Mineralogia e Geologia” e de “Arte de Minas e Metalurgia”, tendo como meta a contextualização das mesmas, relacionando a sua existência e o seu percurso com o desenvolvimento destas áreas do conhecimento científico no ensino industrial e na Escola, a par do contexto político, social e económico que se viveu em Portugal e na Europa industrializada, entre os anos de 1864 e 1974.

A existência de coleções de Geologia (ou numa terminologia mais abrangente de coleções de Geociências) e de outros materiais didáticos associados, tais como modelos, quadros e mapas, em diversas instituições de ensino superior demonstra, em primeira instância, a importância que estas disciplinas tiveram nos planos curriculares dos cursos, principalmente na segunda metade do séc. XVIII, sendo posteriormente incorporadas nos institutos de ensino industrial, já em meados do séc. XIX.

Porém, para entendermos a existência destas coleções tivemos que perceber o sentido evolutivo desta ciência, dos principais fatores que estiveram na sua origem e das técnicas mineiras e metalúrgicas associadas.

Como qualquer investigação partimos de uma pergunta chave: que origens tiveram as atuais coleções de Mineralogia e Geologia existentes no espaço museológico de mineralogia e geologia do Departamento de Engenharia Geotécnica do Instituto Superior de Engenharia do Porto?

Tendo como base metodológica o método de investigação proposto por Raymonde Quivy e de Luc Van Campenhoudt, estruturámos o nosso trabalho em várias etapas.

A primeira ação, denominada por esta teoria de operação de leitura, foi fazer um levantamento o mais exaustivo possível da bibliografia existente sobre o tema, elaboração de resumos destacando as ideias principais a reter. Esta pesquisa foi orientada em três áreas distintas: (1) História do ensino em Portugal, com objetivo de compreender a evolução do ensino industrial no contexto do nosso país, os seus principais estabelecimentos e atores, (2) História da Mineralogia, Geologia e Arte de Minas enquanto áreas maiores do conhecimento científico e aplicado e considerando o seu desenvolvimento e repercussões em Portugal durante os últimos dois séculos e (3) As diferentes coleções de Mineralogia e Geologia existentes no acervo museológico do ISEP, as suas origens, composição e relação com as atividades práticas e experimentais que constituíram o propósito da sua aquisição.

Uma outra pesquisa paralela foi a leitura e análise dos documentos pertencentes ao Arquivo Histórico do ISEP e um enfoque adicional na análise, conservação e reorganização dos espécimes e modelos por coleções.

Com esta abordagem conseguimos aferir a importância deste tipo de coleções e a existência de uma rede internacional de transações de espécimes naturais e materiais didáticos, em que Portugal acabaria por se vir a integrar, sobretudo a partir do último quartel de novecentos.

Para terminar, consideramos satisfatórios os resultados obtidos com esta investigação, embora encaramos este trabalho como um ponto de partida e não de chegada. A partir deste momento muitos outros trabalhos de investigação podem vir a ser desenvolvidos, com o objetivo de aprofundar os resultados ora alcançados, com o intuito de termos sempre um papel ativo e até criativo neste processo, assegurando uma mudança importante na musealização deste importante acervo histórico.

No decurso da sua longa história, com mais de 160 anos, o atual Instituto Superior de Engenharia do Porto (Politécnico do Porto), teve altos e baixos. Todavia, a sua principal missão permanece intocável, ou seja, dedicada à formação superior de engenheiros, no espírito dos modernos paradigmas do ensino politécnico, norteados por um saber-fazer profissionalizante de alta exigência científica, técnica e experimental, herdada do espírito pioneiro dos saberes aplicados, do séc. XIX.

 

* Técnica Superior no Instituto Superior de Engenharia do Porto e Investigadora no Instituto de História Contemporânea da FCSH, Universidade Nova de Lisboa.
Museóloga no Museu do ISEP desde 1999, é licenciada em Ciências Históricas – Ramo Património pela Universidade Portucalense. Sendo os museus uma área que sempre a atraiu, iniciou a sua especialização em 1998 com a Pós-graduação em Museologia lecionada Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Em 2007 concluiu o mestrado, na mesma faculdade, onde abordou o tema dos museus no ensino industrial durante o séc. XIX.
Doutorada em Geologia, especialidade História e Metodologia das Ciências Geológicas, no Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (2014).

Desde de maio de 2013 é investigador integrado no Instituto de História Contemporânea, FCSH, Universidade Nova de Lisboa, Grupo de investigação – Economia, Sociedade, Património e Inovação.

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