
Faleceu esta semana a colega Maria Odete Santos (1934-2026) que se distinguiu pelo seu trabalho associativo como Presidente na INCITE – Associação Portuguesa para a Gestão de Informação e pela defesa da profissão.
Em 1961, começou a trabalhar como professora do ensino técnico, tendo entrado em 1964, na carreira administrativa do Fundo de Desenvolvimento da Mão-de-Obra do Ministério das Corporações e Previdência Social. Considerava-se uma «histórica» daquele Ministério; nunca tendo mudado de serviço. Depois de percorrer as etapas da carreira: de Técnico Superior chegou a Directora de Serviços, em 1978, cargo que ocupou até 2003. Dividia a sua carreira profissional em várias fases:
Entre 1964 e 1974, dedicou-se à criação e reestruturação do núcleo de informação e documentação do Fundo de Desenvolvimento da Mão-de-Obra, partindo do nada (quase nada também no país). Formou pessoas. Criou as oficinas gráficas do Ministério e envolveu-se na área editorial (devido à Censura lembra que «estudava», com o autor na sua frente, as palavras que podiam dizer ou não dizer).
De 1974 a 1983, dinamizou o Serviço de Informação Científica e Técnica. Nessa época, deu-se a fusão do património da Junta da Acção Social com o das Corporações e a reconversão do serviço (no então Ministério do Trabalho).
De 1984 a 2003, associava a sua carreira à consolidação do trabalho das bibliotecas da Administração Central do Estado.
Enquanto presidente da INCITE desenvolveu iniciativas pioneiras, das quais se destaca o protocolo de cooperação (2005), que envolvia as outras três associações profissionais portuguesas, ligadas à área da documentação e da informação – a BAD, a APDIS e a LIBERPOLIS – para criar e dinamizar o Observatório da Profissão.
Participou em todas as «primeiras jornadas» na área da documentação: primeiras jornadas de documentação e informação; primeiro congresso da BAD (1985) e no 1.º encontro luso-espanhol de informação científica e técnica, em 1979. Enquanto Presidente da INCITE, propôs às associações congéneres em fevereiro de 2005 a criação, em parceria, do projeto do Observatório da Profissão de Informação- Documentação (OP I-D), bem como a elaboração de um Plano de Acção com a planificação e operacionalização de projetos de investigação, designadamente a elaboração de dois inquéritos, um para identificação da Auto-Imagem das Competências dos Profissionais I-D e outro para a identificação da Imagem Externa dessas mesmas competências. Defendia a necessidade do desenvolvimento duma estratégia para conferir visibilidade e valorizar o saber organizado e as competências específicas dos Profissionais de Informação Documentação no seio da heterogénea Sociedade da Informação e do Conhecimento.
Após a aposentação dedicou-se ainda à formação tendo colaborado com a Agência Nacional de Qualificação na construção do Catálogo Nacional de Qualificações e no processo de RVCC para a saída profissional da área 322 de Técnico de Informação, Documentação e Comunicação, Nível 3. A nível internacional teve um papel importante na difusão do Euroguide Lis – Euro-referencial de Competência ID e na conceção e discussão do projeto de euro certificação das competências de informação documentação.
O arquivo da INCITE foi doado ao Arquivo Nacional Torre do tombo.
Em jeito de homenagem, reproduzimos algumas das suas palavras que definem a sua forma de estar na vida:
“O meu agradecimento à VIDA é total: não posso ficar parada a vê-LA comodamente passar, tenho de vivê-LA com todo o empenhamento e gosto tentando cada vez mais descobrir “o sabor de todas as coisas”, “o belo escondido nos momentos e nas pessoas. “.
Paula Ochôa, Leonor Gaspar Pinto e Ana Alves Pereira