“Num mundo que muitas vezes cede ao mito de que “qualquer pessoa serve para trabalhar na biblioteca”, o associativismo é a nossa maior ferramenta de defesa da profissão, de dignificação técnica e de afirmação de que o nosso trabalho é um pilar da democracia.”
CARLA NUNES
– Há quanto tempo é associada da BAD?

Apesar de já acompanhar os cursos e os webinars da associação há algum tempo, sou uma associada muito recente, estando ainda a descobrir todas as potencialidades de fazer parte ativa deste grupo.
– Em três adjetivos, como tem sido esta “relação “?
Inspiradora, acolhedora e identitária.
– Numa frase, como convenceria alguém a associar-se à BAD?
Associar-se à BAD é deixar de ser uma voz isolada num serviço de documentação para passar a fazer parte de um coletivo que pensa, defende e valoriza o papel dos profissionais da informação em Portugal.
– Como associado, o que a BAD ainda não tem para lhe oferecer?
Sendo uma associada recente e residente na Madeira, gostaria de ver uma maior representatividade e valorização do trabalho que é desenvolvido nas bibliotecas insulares. As regiões autónomas têm particularidades, desafios geográficos e dinâmicas de rede muito próprias que diferem do contexto continental. Seria importante se a BAD promovesse uma descentralização ainda maior, trazendo mais exemplos das ilhas para o debate nacional e valorizando o esforço técnico que aqui se faz. Sentir que as bibliotecas insulares fazem parte ativa da agenda da associação é fundamental para dar força a todo o setor, sem exceção.
– Que mensagem gostaria de deixar aos novos profissionais relativamente ao associativismo?
Não fiquem à espera de que o associativismo faça algo por vós; façam vós parte dele. Num mundo que muitas vezes cede ao mito de que “qualquer pessoa serve para trabalhar na biblioteca”, o associativismo é a nossa maior ferramenta de defesa da profissão, de dignificação técnica e de afirmação de que o nosso trabalho é um pilar da democracia.
Nota Biográfica
Carla Marina Gouveia Nunes é profissional da informação há mais de duas décadas na Direção Regional dos Arquivos, das Bibliotecas e do Livro (DRABL) da Região Autónoma da Madeira, onde tem dedicado o seu percurso ao serviço de acesso e ao setor infantojuvenil, promovendo o livro e a leitura como eixos de mediação no quotidiano familiar.
Detém o Curso Técnico de Biblioteca e Documentação (2003), é licenciada em Ciências da Educação (2006) e mestre em Gestão de Informação e Bibliotecas Escolares (2024). Atualmente, é doutoranda em Relações Interculturais na Universidade Aberta (UAb), desde 2025, onde desenvolve investigação sobre as práticas de mediação e potencialidades interculturais do livro-álbum nas bibliotecas públicas portuguesas.