As Recomendações para as Bibliotecas de Ensino Superior de Portugal 2020-2022 têm, entre outros, o objetivo de enquadrar a atividade dos profissionais de informação no triénio 2020-2022, sendo desenvolvidas a partir de quatro eixos: i) Apoio ao ensino e aprendizagem, ii) Apoio à investigação, iii) Desenvolvimento profissional e organizacional, iv) Redes, cultura e património. De maneira a contribuir para uma mais efetiva aplicação na prática, apresentamos de uma forma mais detalhada a recomendação Fomentar o potencial inovador e o valor das Bibliotecas do Ensino Superior, que se inclui no eixo três Desenvolvimento profissional e organizacional.

Potenciar a inovação e a melhoria contínua, valorizando o papel das Bibliotecas do Ensino Superior através da adoção sistemática de indicadores de desempenho, da promoção ativa da mudança e da incorporação de metodologias de gestão de projetos e de trabalho colaborativo, num compromisso com a integração dos bibliotecários em equipas multidisciplinares e de investigação.

A transformação digital tem trazido alterações globais na forma como se acede à informação e como se constrói conhecimento, estando em curso uma reengenharia da estrutura de ensino e aprendizagem e das práticas de investigação em muitas universidades, o que traz inúmeras possibilidades e desafios às Bibliotecas de Ensino Superior (BES). Geridas de forma adequada, as mudanças nos mecanismos e meios de aceder e usar a informação e de construir conhecimento podem ser usadas de forma eficaz pelas BES para prestar mais e melhores serviços à comunidade académica, fornecendo melhores infraestruturas e sistemas de informação e serviços inovadores para apoiar as atividades de aprendizagem e de investigação e facilitando desta forma a transformação digital junto da comunidade. A ação dos profissionais de informação das BES deverá redefinir-se em função das transformações radicais em curso no ensino superior, dos avanços tecnológicos e das novas práticas de produção e disseminação da ciência, cada vez mais colaborativas, abertas e transparentes, perspetivando serviços inovadores em domínios como o acesso aberto, os dados abertos, as práticas de ética e transparência na publicação científica, os direitos de autor, entre outros. De forma a potenciar o valor das BES neste cenário é essencial que a gestão de topo aposte de forma prioritária na formação contínua para o desenvolvimento de competências técnicas avançadas dos profissionais de informação e no estabelecimento de instrumentos de avaliação do desempenho que se demostrem flexíveis e adequados à transversalidade das áreas de ação das BES nos dias de hoje. Perspetiva-se ainda a necessidade de uma adoção cada vez mais efetiva do trabalho colaborativo e em rede na instituição e fora dela e de metodologias de gestão de projetos nas atividades das bibliotecas que contribuam para uma consolidação dos serviços que oferecem. Importa ainda o desenvolvimento e a aplicação de métodos adequados para a aferição das atividades e do impacto dos serviços junto da comunidade, mediante a recolha sistemática de indicadores estatísticos e a aplicação de métodos de auscultação da comunidade estruturados e que abranjam uma transversalidade de resultados, de forma a contribuir para uma melhoria contínua sustentada e uma promoção da mudança. Destacam-se alguns dos domínios a ter em atenção de forma a traduzir esta recomendação na prática nas BES:

  • Aplicação de métodos, workflows e jornadas de trabalho mais flexíveis adaptados às novas formas de se usar e de se percecionar os espaços das bibliotecas, de se aceder à informação e de se construir conhecimento;
  • Consolidação das estruturas de pessoal de coordenação das BES, com competências transversais, nomeadamente nos domínios da gestão, de forma a antecipar tendências, redefinir serviços e promover áreas inovadoras de intervenção;
  • Aposta prioritária na formação contínua para o desenvolvimento de competências técnicas avançadas dos profissionais de informação e no estabelecimento de instrumentos de avaliação do desempenho flexíveis;
  • Participação ativa em iniciativas e projetos em áreas como os direitos de autor, licenciamento aberto de conteúdos digitais, acesso aberto, dados abertos, práticas de ética e transparência na publicação científica, combate às fake news, democratização no acesso à informação, promoção de competências digitais e formação ao longo da vida;
  • Recolha sistemática de indicadores estatísticos e aplicação de métodos de auscultação da comunidade estruturados que permitam a aferição das atividades e do impacto dos serviços junto da comunidade;
  • Consolidação dos serviços de apoio à investigação mediante estratégias que permitam uma proximidade efetiva com as equipas de investigação. As políticas e requisitos de acesso aberto a publicações e dados de investigação dos financiadores criam um conjunto de oportunidades para que os profissionais de informação se envolvam cada vez mais neste domínio;
  • Reforço da vertente de apoio às atividades de aprendizagem mediante a promoção de projetos de literacia digital junto de docentes e alunos que resultem do trabalho colaborativo com os gabinetes de ensino à distância da instituição.

Diana Silva
Pedro Príncipe

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