O estudo “Gestão das coleções nas Bibliotecas Públicas”

A coleção é um elemento básico de qualquer biblioteca, e nela se centram  a maior parte das tarefas e ações que estas instituições desenvolvem: catalogação e indexação, empréstimo, promoção da leitura e das literacias, entre outras. Por este motivo, as bibliotecas devem ter uma coleção consistente e adequada aos seus objetivos e públicos. O estudo “Gestão das coleções nas Bibliotecas Públicas”, elaborado por Luís Felipe Reis dos Santos na dissertação de mestrado apresentada à Universidade da Beira Interior, põe em destaque a importância de pensar numa política de gestão e desenvolvimento de coleções.

O principal objetivo deste trabalho é fazer um estudo que sirva de base a um futuro guia de procedimentos. Apresenta uma dupla metodologia: um inquérito sobre o estado da situação da gestão de coleções nos centros da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas e uma análise SWOT que determine as coordenadas para um guia de procedimentos. São de realçar dois resultados recolhidos no inquérito a 100 bibliotecas das 250 da Rede de Bibliotecas Públicas: 1) somente 44 bibliotecas têm uma política de gestão das coleções, das quais apenas quatro formalizada em texto escrito e 2) apenas 29 das 100 bibliotecas realizaram algum estudo sobre as necessidades de informação da sua comunidade. Estes dados evidenciam a necessidade de maior dedicação neste âmbito. Destaca-se também, da análise SWOT, um ponto forte e uma oportunidade identificada: 1) existência de funcionários com formação específica na área e 2) possibilidade da criação de pequenas redes de Bibliotecas cooperantes na construção de coleções cooperativas.

Este trabalho pode ser um bom ponto de partida para um debate em profundidade sobre este tema, debate esse que, ressalte-se, está já a ser incentivado pela divisão de bibliotecas da DGLAB junto das redes de bibliotecas das comunidades intermunicipais.

Os (não) utilizadores idosos das Bibliotecas Públicas

Num país em que cerca de 22% da população tem idade superior a 65 anos, o que faz de Portugal o quarto país mais envelhecido da União Europeia, o estudo de Sara Vilar Lobato Ferreira é deveras significativo. O trabalho, concluído em 2019, tem por títuloEstudo sobre os (não) utilizadores idosos da Biblioteca Municipal de Sintrae foi realizado no âmbito do Mestrado em Ciências da Documentação e Informação da Universidade de Lisboa. Destaca duas situações que as bibliotecas devem ter em conta: os não utilizadores e o que leva a população idosa com tempo de lazer a não utilizar a Biblioteca Pública. A autora, além de uma concisa introdução teórica a conceitos como os estudos de utilizadores e utilizadores idosos (envelhecimento ativo), realiza um inquérito aos não utilizadores maiores de 65 anos do município de Sintra.

Os resultados do estudo traçam um retrato da população idosa em que a maioria tem formação secundária ou superior, com uma vida ativa em que a leitura é parte integrante das suas atividades de lazer. Revela ainda a falta de informação que os não utilizadores têm sobre a biblioteca, sendo talvez este o principal motivo para não utilizarem os seus serviços e frequentarem atividades. Uma vez que a comunidade, utilizadores e não utilizadores, é o foco da ação das bibliotecas públicas, este trabalho é muito pertinente para a nossa área de atuação e tem todas as características para ser a base de outros estudos similares noutros municípios do país. Os resultados apontam para uma nova questão: o que está a falhar na comunicação das bibliotecas públicas com as comunidades locais?

Ferreira, Sara Vilar Lobato (2019). Estudo sobre os (não) utilizadores idosos da Biblioteca Municipal de Sintra [Dissertação de mestrado, Universidade de Lisboa].  Repositório ULisboa.

Contributos para o estudo do comportamento informacional: estudo dos hábitos de leitura dos bibliotecários públicos da Rede Municipal de Bibliotecas de Lisboa

São comuns os trabalhos sobre as necessidades informacionais ou os hábitos de leitura de diferentes grupos sociais, mas poucas vezes os ditos trabalhos têm como objeto de estudo os bibliotecários. Ana Rita da Fonseca Neto Marques, na dissertação de mestrado apresentada em 2012 na Universidade Nova de Lisboa, pretende apresentar e discutir os hábitos de leitura dos bibliotecários da Rede Municipal de Bibliotecas de Lisboa. O estudo, de natureza qualitativa, utiliza a entrevista como instrumento de recolha de dados, tendo sido entrevistados 16 bibliotecários com diferentes funções e categorias profissionais, centrando-se em três núcleos de análise: a relação com a leitura, a finalidade da leitura e as formas de promoção da leitura por eles desenvolvidas, quer em contexto profissional, quer em contexto familiar. Não surpreende que a maioria dos bibliotecários entrevistados sejam leitores e que o façam tanto por motivos profissionais, como de lazer. No âmbito profissional, os inquiridos leem sobre Tecnologias da informação, História, Recursos Humanos, Direito ou Sociologia. No âmbito pessoal, o espetro não é menos amplo, abrangendo temas como Política internacional, Arte, Música e Literatura. Todos os entrevistados trabalham na promoção da leitura, associando a este âmbito atividades tão diversas como “Hora do Conto”, mostras bibliográficas, conferências, colóquios, workshops ou visitas a bibliotecas. Da mesma forma, assumem-se como agentes de promoção da leitura, de diversos modos, no contexto familiar. São de destacar as questões relacionadas com o Plano Nacional de Leitura, que 38% dos respondentes vê com algum incómodo, nomeadamente por alguns bibliotecários considerarem não ter recursos para aplicar os projetos propostos – este problema mereceria aprofundamento, quiçá noutro estudo. Realce-se ainda, neste trabalho, o uso de uma metodologia qualitativa própria das Ciências Sociais, área em que se integra a Biblioteconomia. As entrevistas realizadas são apresentadas como anexo ao documento, permitindo corroborar os resultados e aceder a testemunhos diretos sobre o que é ser bibliotecário, as atividades relacionadas com a promoção da leitura e conhecer em primeira mão as práticas de leitura destes profissionais de informação. 

Marques, Ana Rita da Fonseca Neto (2012) Contributos para o estudo do comportamento informacional de surpreende pelo seu objeto de estudo: os bibliotecários. https://run.unl.pt/handle/10362/9376

Pelo Grupo de Trabalho de Bibliotecas Públicas da BAD
João de Sousa Guerreiro

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