“A BAD lembra-nos de uma coisa importante: raramente estamos sozinhos nos problemas que enfrentamos, e quase sempre há alguém disposto a partilhar experiência, ideias ou simplesmente a ouvir”
SOFIA MOTA
– Há quanto tempo é associada da BAD?

Desde 2017. Foi uma mudança de contexto profissional que me trouxe à BAD: deixei o ensino e passei a dirigir a biblioteca da Universidade Portucalense. Entrei numa área nova para mim, mas encontrei rapidamente uma comunidade profissional muito presente. A BAD acabou por surgir de forma muito natural, como um lugar de pertença e de aprendizagem.
– Em três adjetivos, como tem sido esta “relação “?
Oportuna, estimulante e inacabada – no melhor sentido. Há sempre algo novo para descobrir, aprender ou questionar.
– Numa frase, como convenceria alguém a associar-se à BAD?
A BAD lembra-nos de uma coisa importante: raramente estamos sozinhos nos problemas que enfrentamos, e quase sempre há alguém disposto a partilhar experiência, ideias ou simplesmente a ouvir. Não substitui a formação académica nem resolve os desafios do dia a dia, mas é um lugar de pertença que faz diferença. Para mim, que cheguei às bibliotecas por uma segunda via, isso teve, e continua a ter, um significado especial.
– Como associado, o que a BAD ainda não tem para lhe oferecer?
A resposta honesta é que talvez eu ainda não tenha aproveitado tudo o que a BAD tem para oferecer, e isso diz mais sobre o tempo do que sobre a associação. Mas gostaria de ver crescer o espaço de conversa sobre liderança em bibliotecas: os desafios de gerir equipas, de defender recursos, de lidar com a mudança e de afirmar a biblioteca dentro das instituições. Liderar é, acima de tudo, trabalhar com pessoas, e aprende-se muito com quem vive desafios semelhantes.
– Que mensagem gostaria de deixar aos novos profissionais relativamente ao associativismo?
O associativismo não é um gesto simbólico nem algo para “mais tarde”. Numa profissão que ainda precisa, muitas vezes, de afirmar a sua relevância junto de quem decide, a voz coletiva faz diferença. O meu conselho é simples: não esperem sentir que sabem tudo para participar. Entrem, ouçam, participem. A profissão constrói-se também nesses encontros e nessas redes.
Nota Biográfica
Ana Sofia de Sousa Machado Mota é Diretora da Biblioteca Geral da Universidade Portucalense. Doutorada em Ciências da Informação e da Documentação pela Universidade de Évora, é mestre e pós-graduada na mesma área científica pela Universidade Católica Portuguesa e licenciada em Línguas e Literaturas Modernas – Inglês/Alemão, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. As suas áreas de interesse incluem bibliometria, literacia da informação no ensino superior, Ciência Aberta, comunicação de ciência e gestão da informação científica. É membro da Delegação Regional Norte da Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas e integra o Grupo de Trabalho das Bibliotecas de Ensino Superior.