No passado dia 16 de dezembro de 2021 o Arquivo de Ciência e Tecnologia fez 10 anos. Uma importante estrutura que tem por missão tratar, preservar e divulgar o património arquivístico à guarda da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e outros com interesse científico e histórico contribuindo assim para a preservação da história e memória da ciência e da tecnologia em Portugal.

Arquivo de Ciência e Tecnologia

Um Arquivo que preserva e gere a memória documental da produção científica nacional, essencialmente desde a 2ª metade do Séc. XX, traduzida em milhares de processos de apoio a bolsas, instituições e projetos de investigação. Um acervo documental e bibliográfico que representa a história das instituições, das políticas científicas e da organização da ciência, com interesse para todas as áreas do conhecimento.

Desde 1967, que a documentação produzida, primeiro pela Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica (JNICT), depois pela FCT, não teve qualquer tratamento arquivístico, tendo aumentado exponencialmente a partir dos anos 90 com o crescimento da atividade e do financiamento à atividade científica. Juntando a integração de outros acervos de instituições públicas, entretanto extintas, levou a que no início do projeto, em 2008, tivessem sido contabilizados cerca de 4.000 metros lineares de documentação, dispersa em vários depósitos. Apenas em 2011 foi possível reunir toda a documentação num espaço único, o que permitiu uma aceleração do trabalho de intervenção técnica arquivística e a abertura do Arquivo de Ciência e Tecnologia ao público.

Para além do tratamento e disponibilização do património documental à guarda da FCT, o ACT tem desenvolvido projetos de tratamento de acervos de ciência e tecnologia pertencentes a outras entidades como é o caso do Arquivo da Junta de Energia Nuclear e do Arquivo da Comissão Fulbright, ambos já inventariados e disponíveis em linha. Também tem vindo a integrar outros arquivos, essencialmente espólios pessoais.

Assim, estamos perante um acervo que tem enriquecido em conhecimento pelos espólios que têm vindo a ser integrados, tratados e disponibilizados. Atualmente o ACT inclui 20 arquivos, 13 dos quais integrados na última década: 9 pessoais e 4 institucionais. Acervos que têm vindo a sofrer a intervenção arquivística necessária para ficarem acessíveis aos investigadores e público em geral. Assim, já é possível consultar em linha 13 destes arquivos.

Em termos de divulgação foram várias as iniciativas nos últimos 10 anos. Organização de encontros científicos, 6 no total, reunindo público diversificado, investigadores, técnicos e público em geral, sobre as mais diversas temáticas: arquivos do ensino superior, arquivos da administração pública, arquivos científicos, atores da política científica, curadoria digital, entre outros. O ACT também marcou presença em cerca de 16 encontros e iniciativas científicas, nacionais e internacionais, com apresentação de comunicações. Foram ainda desenvolvidas e acompanhadas mais de 20 iniciativas, sempre com a intenção de divulgação do arquivo, da sua atividade e do seu imenso espólio documental. Também foram escritos e publicados artigos de divulgação em revistas nacionais e internacionais, e publicação de atas dos encontros científicos. Toda esta informação está disponível no portal do Arquivo, criado em 2014. Um portal que se mantém em atualização, com a preparação constante de novos conteúdos. Até agora contabilizam-se 21 biografias de personalidade relevantes para a história da ciência e da política científica em Portugal, 10 artigos sobre diversas temáticas divulgando conteúdos existentes no ACT, uma cronologia, registos de autoridade arquivística, recursos diversos, entre outros.

O Arquivo está aberto ao público em geral, sendo possível a consulta presencial mediante marcação prévia. A equipa do ACT acompanha o processo e presta os esclarecimentos necessários para pesquisa da informação, nomeadamente de informação que possa existir no acervo ainda não inventariada.

10 anos de trabalho que vêm confirmar o interesse e valorizar a existência do Arquivo de Ciência e Tecnologia, o primeiro do género existente em Portugal, que representa uma fonte primária essencial para a história da organização da atividade científica em Portugal desde meados do século XX.

Paula Meireles
Coordenadora do Arquivo de Ciência e Tecnologia

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