Incentivada por alguns colegas de profissão, e motivada pelo desejo de partilhar a experiência avassaladora que tive em Dublin, tentarei encontrar algumas palavras que consigam descrever o ambiente, o conhecimento, e o entusiasmo partilhado durante quatro dias de Congresso.

Rita Aleixo

Tive o privilégio de ser convidada pelo Goethe-Institut Brussels, após participação no projecto internacional Emerging International Voices (tema que pretendo abordar e apresentar aos meus colegas em tempo oportuno), para estar presente no 87º Congresso Internacional da IFLA, que decorreu em Dublin, de 26 a 29 de julho.

A alegria de podermos estar juntos novamente foi notória desde o primeiro momento; na cerimónia de abertura (disponível no Youtube) houve espaço para a dança e música irlandesas, mas também para os discursos de Caroline Conroy (Lord Mayor of Dublin), Barbara Lison (Presidente da IFLA) e Mary Robinson (antiga Presidente da Irlanda). Este último foi particularmente marcante; dedicado à crise climática e ao papel dos bibliotecários, Robinson cita o Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, escolhendo uma das frases mais poderosas acerca das nossas opções enquanto comunidade: We have a choice. Collective action or collective suicide. It is in our hands.” Porém, é necessário reflectir também sobre justiça climática, e Mary Robinson disseca as várias camadas de injustiça que afectam mais algumas comunidades, e o trabalho de activismo e informação que os bibliotecários e as bibliotecas devem desenvolver. Este discurso, que impele a nossa profissão a agir, nas nossas comunidades, presencial e virtualmente, foi o pontapé de saída para diversas reflexões acerca da nossa missão enquanto bibliotecários, do nosso papel, – tantas vezes enquanto activistas – na defesa de causas democráticas, justas, e na protecção desse direito humano que é o acesso à informação.

Enquanto bibliotecária parlamentar, procurei estar presente nas diferentes sessões dinamizadas pela, ou com membros da, IFLAPARL, secção dedicada às bibliotecas e serviços de investigação parlamentares. Neste âmbito, gostaria de destacar dois momentos que me parecem essenciais: na sessão Time to Re-connect: Introducing New Services to Answer Recent Challenges, após as apresentações tivemos a oportunidade de reunir em mesas-redondas e discutir brevemente algumas das questões levantadas durante a sessão, permitindo o contacto próximo entre profissionais de diferentes países, em temas tão variados quanto o impacto da pandemia no trabalho parlamentar, a preservação e promoção do património cultural, ou a cooperação inter-institucional. Outro evento crucial foi o lançamento da terceira edição das Guidelines for Parliamentary Libraries, obra orientadora no nosso quotidiano, apresentada na Sessão 144 “International Standards for a Digital World”.  

 Fora deste sistema das bibliotecas parlamentares, gostaria de destacar a sessão 057 Global Emerging Leaders (1), pela importância de ouvirmos os jovens bibliotecários, os líderes de amanhã, relativamente aos desafios com que se irão deparar, particularmente em temas de maior amplitude, como a crise climática ou a protecção de dados. Tive ainda o privilégio de participar num workshop, levado a cabo pela biblioteca do Goethe-Institut, acerca da Infinite Library, instalação artística de realidade virtual pensada por Mika Johnson, que generosamente nos guiou pela sua ideia, e nos motivou a desenvolver projectos semelhantes, trazendo para a mesa conceitos como a realidade virtual, a realidade aumentada, as bibliotecas sem livros, a interpretação de texto não-escrito, entre outros.

Sinto que cruzei diferentes interesses e realidades, que juntei um pouco do meu dia-a-dia com o meu passado profissional; que neste espaço as ideias são acolhidas, os problemas, em maior ou menor escala, tocam-se, vivemos a profissão afastados geograficamente, mas unidos nas preocupações, na missão, nos desafios, na busca por melhores condições para as nossas comunidades, mas também para o nosso desenvolvimento profissional.

Rita Aleixo

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