« Por toda a parte, não só na nossa própria vida, o livro é o alfa e o ómega de todo o conhecimento e o começo de qualquer ciência. Quanto mais íntimo for o nosso comércio com os livros, tanto melhor vivenciaremos a vida no seu conjunto, pois multiplicam-se fabulosamente as perspectivas que se oferecem a quem ama e vê não só com os próprios olhos, mas com os olhos da alma de incontáveis outros, e assim, graças a essa ajuda magnífica, acede triunfante ao mundo ».

Stefan Zweig – Encontros com livros. Ensaios e Prefácios de 1902 a 1939.
Lisboa: Relógio D’Água, 2021, pp. 18-19.

O Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor é comemorado anualmente a 23 de abril. Foi criado no âmbito da Conferência Geral da UNESCO de 1995, para promover o prazer da leitura, a publicação de livros e a proteção dos direitos de autor.

A data coincide com o dia da morte de três grandes vultos da literatura mundial, falamos de, Miguel de Cervantes (1547-1616), William Shakespeare  (1564-1616) e Garcilaso de la Vega (1539-1616).

A ideia da comemoração teve origem na Catalunha, a 23 de abril, dia em memória litúrgica de São Jorge, no qual uma rosa é oferecida a quem comprar um livro. Mais recentemente, a troca de uma rosa por um livro tornou-se uma tradição em vários países do mundo.

Em Portugal, para assinalar o Dia Mundial do Livro, a Direcção-geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) disponibiliza todos os anos um cartaz que, em 2022, é da autoria da ilustradora Susa Monteiro (Beja, 1979-), menção especial do Prémio Nacional de Ilustração em 2019 com o livro Sonho, editado pela Pato Lógico.

O cartaz de 2022 pretende transmitir uma lenda grega onde as ninfas cultivavam laranjas nos Jardins das Hespérides, e aqueles que provassem os seus gomos de ouro tornavam-se imortais. O livro tem o poder da laranja, tornando imortais quem guarda as palavras e as retém como suas. E, em cada livro lido, há uma vida renovada por mais um leitor, que, serena ou avidamente, abre as suas folhas e bebe as palavras que todos nós conhecemos mas não sabemos transmitir de forma imortal. Para mais informações veja aqui.

Em 2022, celebra-se em Portugal, o centenário do nascimento de dois escritores – Agustina Bessa-Luís [Vila Meã, Amarante, 1922 – Porto, 2019] e José Saramago  [Azinhaga, Golegã, 16 de novembro de 1922 – Lanzarote, Ilhas Canárias, 18 de junho de 2010].

Em sua homenagem, neste Dia Mundial do Livro deixamos como sugestões de leitura, livros dos escritores centenários, incluindo, entre outros, Dentes de Rato e O Ano da Morte de Ricardo Reis.

Dentes de rato
Agustina Bessa-Luís ; il. Mónica Baldaque
ISBN: 978-989-641-751-2
Edição: Lisboa
Editor: Relógio D’Água
N.º de Páginas: 72
Resumo: «Lourença tinha três irmãos. Todos aprendiam
Resumo: «Lourença tinha três irmãos. Todos aprendiam a fazer habilidades como cãezinhos, e tocavam guitarra ou dançavam em pontas dos pés. Ela não. Era até um bocado infeliz para aprender, e admirava-se de que lhe quisessem ensinar tantas coisas aborrecidas e que ela tinha de esquecer o mais depressa possível. O que mais gostava de fazer era comer maçãs e deitar-se para dormir.»
Assim começa este livro que Agustina Bessa-Luís escreveu para os leitores mais novos. Se lermos um pouco mais ficamos a saber porque é que Lourença era conhecida como «Dentes de Rato» e muitas outras coisas. As ilustrações são de Mónica Baldaque. O resultado é um clássico moderno da literatura infantil portuguesa. Livro recomendado PNL2027 – Antes 2017 – Literatura – dos 12-14 anos – Fluente

O Ano da Morte de Ricardo Reis
José Saramago
ISBN: 978-972-0-04882-0
Edição: Porto
Editor: Porto Editora
N.º de Páginas: 496
Resumo: «[em O Ano da Morte de Ricardo Reis] é como se eu tivesse a preocupação fundamental de tornar o real imaginário e o imaginário real. Foi como se quisesse fazer desaparecer a fronteira entre o real e o imaginário, de modo a que o leitor circule de um lado para o outro sem se pôr a si mesmo a questão: isto é real?, isto é imaginário? Gostaria que o leitor circulasse entre o real e o imaginário sem se interrogar se aquele imaginário é imaginário mesmo, se o real é mesmo real, e até que ponto ambos são aquilo que de facto se pode dizer que são.» José Saramago.
Livro recomendado PNL2027 – Antes 2017 – Literatura – dos 15-18 anos – Fluente

Ana Margarida da Costa

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